Ali mesmo ao lado da Itália, no coração da Europa, fica a Península dos Balcãs. O lado ocidental dessa península foi ocupado na maioria do séc. XX pela Jugoslávia, um grande país que albergava um conjunto vasto de povos, línguas, religiões e até alfabetos! Nos anos 90 o país desintegrou-se em vários pequenos países, dos quais a Croácia é o mais famoso. Mas Eslovénia, Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e Macedónia são igualmente pequenas jóias a ser visitadas e praticamente desconhecidos.

Mais do que uma costa maravilhosa polvilhada por imponentes cidades medievais muralhadas e um mar azul-turquesa com uma temperatura convidativa, a região da ex-Jugoslávia, tem muita história para oferecer e locais Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. História é talvez a principal razão pela qual se deveria visitar estes países. Afinal de contas o século XX foi bastante “longo” e aqui começou e terminou. Em Sarajevo (capital da Bósnia) em 1914 deu-se um assassinato que desencadearia a Primeira Guerra Mundial, tendo o primeiro tiro sido disparado em Belgrado (Sérvia). E podemos considerar que também aqui “terminou” o século com a desintegração da Jugoslávia nos anos 90, nomeadamente o cerco a Sarajevo que terminou em 1996 ou os bombardeamentos da NATO à Sérvia em 1999. Antes e já durante o século XX aqui se forjaram impérios e se dissolveram outros tantos ou mais: turcos (otomanos) e austríacos foram os principais atores até ao século XIX mas nenhuma crónica desta região estaria completa sem mencionar alemães, russos, húngaros, italianos, bizantinos, romanos ou o grande herói clássico, o grego Alexandre Magno. E isto sem sequer ter mencionado os “atores residentes”: sérvios, croatas, albaneses, macedónios, gregos e búlgaros, entre outros.

Passeio completo nos Balcãs

Eslovénia

Começando de Norte para Sul a Eslovénia seria o país por onde começar. Aqui o ponto central é mesmo a pequena capital, Ljubljana. Com cerca de 300.000 habitantes é das mais pequenas capitais europeias mas ganha em charme e beleza a muitas delas. A sua arquitetura Art Nouveau revela o passado de cerca de 500 anos integrada no império austríaco e a pouco mais de meia hora de carro fica o famosíssimo Lago Bled. No sopé dos Alpes, este lago é por muitos considerado o mais romântico da Europa, com as suas vistas incríveis e uma ilha solitária com uma igreja medieval. Mas há mais! Numa das margens uma colina foi o lugar escolhido para construir um castelo que domina todo o lago. Vá lá, vai ser a selfy das férias!

Lago Bled, Eslovénia

 

Croácia

Logo abaixo da Eslovénia fica a Croácia. Aqui poderíamos escrever um artigo inteiro apenas sobre este país mas vamos aos pontos chave: a capital Zagreb fica no interior do país e apesar de ser uma cidade bonita não é das mais importantes e por isso se não tiver muito tempo até pode prescindir de visitá-la. A costa do país, chamada de Dalmácia é bem mais famosa. Mas já chegamos lá. Antes disso temos que referir os maravilhosos Lagos de Plitvice, Património Natural da Humanidade pela UNESCO devido à beleza dos seus lagos, passadiços e cascatas. É incrível e imperdível e tem roteiros já pré-definidos de diferentes durações – desde 2/3 horas até ao dia inteiro – consoante a vontade e capacidade física de cada visitante. Daí até à costa é um pulinho e há uma série de cidades que merecem uma visita. Porec, Split, Trogir e Dubrovnik são Património Mundial da Humanidade e praticamente dispensam apresentações. Dubrovnik é a “jóia da coroa“, também chamada de Pérola do Adriático e é o local principal das filmagens da série Game of Thrones. Mas há outras que são igualmente bonitas embora não tão famosas: Rovinj, Zadar e Korcula são apenas alguns exemplos. E o que dizer das ilhas croatas? São cerca de 1.200 e 48 são habitadas. Hvar é das mais famosas, sobretudo no verão com as suas festas de sunset, mas se o que procura é diversão em clubes noturnos (e diurnos!) ao estilo de Ibiza o seu destino deve ser a ilha de Pag, em concreto a praia de Zrce. O mar é ao longo de toda a costa de um azul esverdeado estonteante e de fazer corar de vergonha as famosas ilhas gregas. No verão a temperatura é a ideal para ir a banhos!

Dubrovnik, a Pérola do Adriático e da Croácia

 

Montenegro

Seguimos para sul, rumo ao Montenegro. Este é dos mais pequenos países do continente Europeu e começa a entrar nos roteiros turísticos, sobretudo como destino de verão do velho continente. Tem as mesmas condições climatéricas e marítimas da Croácia mas é menos conhecido e por isso também mais barato. Logo pertinho de Dubrovnik fica a fronteira com este país e o seu principal atrativo: a cidade de Kotor, também Património da Humanidade. Esta bonita cidade muralhada dá nome à Baía de Kotor, onde se encontra. É uma baía enorme, extensa, toda rodeada por enormes montanhas cinzentas e negras, que lhe dão um aspecto magnânime, quase indescritível. Vale a pena fazer um passeio de barco pela baía e descobrir as pequenas aldeias construídas nas suas margens ou as pequenas ilhas que a povoam, algumas com pequenas igrejas, outras com fortalezas antigas. Uma delícia para os olhos e que a sua máquina fotográfica vai adorar! Mas há mais para ver neste país: a semi-ilha de Sveti Stefan, o Monte Lovcen com a sua vista incrível para a Baía de Kotor ou o Mosteiro ortodoxo de Ostrog, construído na rocha numa das inúmeras montanhas do país.

Sveti Stefan, no Montenegro

 

Bósnia e Herzegovina

Depois da zona costeira da região, a Bósnia e Herzegovina surge como destino natural. Este país tem a particularidade de ser habitado por povos que professam as 3 religiões predominantes na zona: católicos, ortodoxos e muçulmanos. O islão é mesmo a religião maioritária do país. Toda esta diversidade está refletida nas cidades e localidades do país. Pertinho de Dubrovnik por exemplo encontramos a cidade de Mostar, com a sua influência turca, a cidade é uma maravilha classificada como Património Mundial da UNESCO com a sua famosíssima Ponte Velha, um ex-libris da engenharia medieval turca. A capital, Sarajevo destaca-se como o outro ponto principal do país. Chamada de Palestina da Europa, nesta cidade pode encontrar-se numa mesma rua templos religiosos destas 3 religiões e ainda sinagogas, sinal da presença também de comunidades judaicas. O seu antigo bazar turco bem conservado e cheio de mesquitas transportam o turista para o Médio Oriente e a comida é deliciosa! A História europeia e até mundial respira-se por todos os lados. Sabia que nesta cidade em 1914 foi assassinado um arquiduque austríaco e que esse evento seria o gatilho para o início da 1ª Guerra Mundial? Para além do Património Histórico e Cultural o país está repleto de montanhas, rios e parques e por isso tem uma beleza natural única e é ideal para a prática de desportos radicais. Os preços são muito acessíveis comparando com a Europa Ocidental e no final o país é uma excelente surpresa!

Mostar na Bósnia e Herzegovina. O país é o verdadeiro ponto de encontro entre o Ocidente e o Oriente

Macedónia

A Macedónia é um dos países mais desconhecidos da antiga Jugoslávia e mesmo de toda a Europa. Este pequeno país fica encravado entre a Sérvia, a Albânia, a Grécia e a Bulgária e, portanto, fácil de visitar a partir de todos eles. Os grandes atrativos são a sua capital, Skopje, que à semelhança de Sarajevo apresenta um bazar turco bem conservado e pitoresco, para além de um castelo e a parte nova da cidade, que recentemente foi renovada e reconstruída com elementos neoclássicos que nos recordam a importância desta região no período da antiga Grécia Clássica. Imperdível também é a cidade e Lago de Ohrid, Património da Humanidade. O vilarejo é bastante pitoresco, cheio de mosteiros e igrejas ortodoxas e um castelo que guarda a cidade. O lago tem umas vistas fantásticas e é partilhado com a Albânia. Também aqui a comida é deliciosa e os preços ainda simpáticos.

Lago Ohrid, na Macedónia: beleza em estado puro

 

Sérvia

Por último, a Sérvia é o maior país da região e tem a maior metrópole, Belgrado. Esta cidade era a capital da Jugoslávia e, portanto, um marco a visitar. Rasgada por 2 grandes rios, o Sava e o Danúbio, encerra história e estórias que também dariam um artigo por si só. A cidade começou na fortaleza de Kalemegdan que do alto vigia o ponto de fusão destes rios, onde o Sava desemboca no Danúbio para seguir para sudeste, fazendo a fronteira entre a Sérvia e a Roménia. Nessa zona há o Parque Natural de Djerdap que oferece não só a beleza natural do rio e montanhas em redor mas também o Castelo de Golubac, empoleirado num penhasco à beira rio, e ainda os vestígios arqueológicos pré-históricos de Lepenski Vir de incalculável valor a nível mundial. Mas voltemos à capital antes de seguir viagem!… Belgrado é marcada pelo passado recente, a arquitetura socialista mas também por um tempo mais antigo, da presença turca nesta região, numa fusão incrível de pessoas, religiões e influências históricas. E claro, pela melhor noite da Europa de Leste! O melhor mesmo é visitar! A partir de Belgrado vale a pena visitar a montanha de Fruska Gora onde inúmeros mosteiros ortodoxos foram construídos como refúgio dos ataques turcos vindos do sul e também a cidade de Novi Sad, a segunda cidade do país. A zona ocidental é polvilhada por montanhas, rios, canhões e vilarejos típicos que deslumbram pela sua simplicidade e beleza natural.

Belgrado, na Sérvia, e a confluência dos rios Sava e Danúbio

 

Como deslocar-se?

Estradas

É fácil deslocar-se na região, embora não tão fácil quanto noutros países europeus. A Eslovénia e Croácia têm boas infraestruturas rodoviárias (embora não haja auto-estrada para Dubrovnik) e a Sérvia também tem uma auto-estrada que liga a cidade de Belgrado para Oeste (para Zagreb), para Norte (em direção à Hungria) e para Sul (em direção à Macedónia).
É preciso ter em atenção que toda a região é muito montanhosa o que dificulta as comunicações. Nalgumas zonas as distâncias devem ser medidas em tempo, não em quilómetros. Algumas regiões da Sérvia fora da auto-estrada descrita anteriormente demoram bastante tempo a serem alcançadas. A Bósnia, Montenegro e Macedónia têm uma rede viária ainda pouco desenvolvida no que toca a auto-estradas, no entanto há estradas asfaltadas com abundância e que oferecem uma opção muito interessante para o turista pois as vistas são por norma maravilhosas. A opção de aluguer de carro pode ser a ideal.

Comboio/trem

O comboio não é uma boa opção na maioria destes países pois a rede ferroviária é muito pouco viável e por vezes até inexistente. As deslocações são longas, com paragens constantes e as composições antigas. A viagem Belgrado – Bar (no Montenegro) apesar de lenta – cerca de 10 horas para 500 km – pode valer a pena pois o percurso é bastante bonito, passando por montanhas, rios, pontes e túneis o tempo todo.

Autocarro/ônibus

As ligações entre as principais cidades via autocarro é geralmente garantida com várias saídas diárias e pode ser uma opção interessante para o viajante mais preocupado em manter um orçamento controlado. O lado negativo é que pode demorar bastantes horas, dependendo dos locais em causa e não permite parar no meio para fotografar os locais pitorescos que vão aparecendo pelo caminho (e são muitos!).

Barco

Se está na costa do Mar Adriático o barco é sempre uma boa opção, sobretudo no verão! Na croácia a empresa Jadrolinija é a responsável pela maioria das deslocações entre ilhas e principais localidades costeiras.

A Jadrolinija faz a maior parte das ligações na costa e ilhas da Croácia

 

Passaporte, vistos e moeda

Qualquer um destes países requer apenas o cartão de cidadão válido para cidadãos portuguese ou passaporte válido para cidadãos brasileiros mas nenhum requer visto. A Eslovénia e a Croácia fazem parte da União Europeia mas apenas a Eslovénia está inserida no espaço Schengen. A Eslovénia e o Montenegro usam o Euro, apesar deste último não fazer parte do espaço comum europeu, e a melhor moeda a levar é mesmo o Euro pois o Dólar praticamente não se usa nesta região. Com Euros poderá facilmente trocar dinheiro para cada moeda local pois existem inúmeras casas de câmbio em qualquer cidade ou localidade, normalmente com taxas de câmbio muito competitivas, mais que nos bancos.

Dica útil

Já deu para perceber que a região é mesmo um tesouro escondido na Europa, cheia de cultura, aventura, património, religião e mar! O ideal é fazer uma visita conjunta a esses países que se complementam, à medida que passamos de uns para os outros. Contacte a Into the Balkan para conhecer a região com uma equipa que organiza tours privados à sua medida, ou em grupo e, o melhor de tudo, integralmente em português!

 

Outras leituras de interesse:

10 razões para fazer uma visita conjunta aos países da ex-Jugoslávia
Cidades espetaculares no Mar Adriático
Passeios de um ou dois dias a partir de Dubrovnik

 

Texto: Into the Balkans
Fotos: Into the Balkans

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