As origens de Madre Teresa de Calcutá em 3 países dos Balcãs: Macedónia, Kosovo e Albânia

“A misericórdia foi o sal que deu sabor ao seu trabalho, foi a luz que brilhou na escuridão de muitos que já não tinham lágrimas para derramar pela sua pobreza e sofrimento” Papa Francisco.

Uma das maiores figuras ligadas à caridade do século XX e sinónimo de bondade, tem origens nos Balcãs. Foi a fundadora da Ordem dos Missionários da Caridade, uma congregação católica romana de mulheres dedicadas a ajudar os pobres. Em 2016 foi canonizada como Santa Teresa de Calcutá, mas continua ser conhecida sob o nome de Madre Teresa.

 

A família e dedicação religiosa: como Anjezë Bojaxhiu se tornou Madre Teresa

 

Madre Teresa nasceu a 26 de Agosto de 1910, em Skopje – a actual capital da República da Macedónia do Norte – que na altura pertencia ao Império Otomano. No dia seguinte foi batizada como Anjezë Gonxhe Bojaxhiu.

Os pais, Nikola e Dranafile Bojaxhiu, eram albaneses da região do Kosovo e a família era devotamente católica. O pai estava profundamente envolvido na igreja local, bem como na política da cidade, como defensor da independência albanesa face ao Império Otomano.

A casa museu Madre Teresa de Calcutá em Skopje, Macedónia. Fonte: Into the Balkans

 

Após a morte do pai em 1919, Anjezë tornou-se extraordinariamente próxima da mãe, uma mulher piedosa e compassiva que incutiu na filha um profundo compromisso com a caridade. Embora não fosse de forma alguma rica, Dranafile Bojaxhiu fez um convite aberto aos indigentes da cidade para jantar com a sua família. “Minha filha, nunca coma um só bocado se não o partilhar com os outros“, aconselhou a mãe. Quando Agnes perguntou quem eram as pessoas que comiam com eles, a mãe respondeu: “Alguns deles são nossos parentes, mas todos eles são o nosso povo“.

 

Enriquecer significa educar: Madre Teresa na Índia

 

Quando era menina, Madre Teresa cantava no coro local do Sagrado Coração. A congregação fazia uma peregrinação anual à Igreja da Senhora Negra no Kosovo, e foi numa dessas viagens, aos 12 anos de idade, que ela sentiu pela primeira vez um chamamento para a vida religiosa. Seis anos mais tarde, em 1928, uma jovem de 18 anos, Anjezë Bojaxhiu, decidiu tornar-se freira e partiu para a Irlanda para se juntar às Irmãs de Loreto, em Dublin. Foi lá que tomou o nome de Irmã Teresa, inspirada pela Santa Teresa de Lisieux, a freira carmelita francesa.

Madre Teresa de Calcutá nasceu em Skopje, Macedónia, numa família albanesa originária da região do Kosovo. Fonte: bbc.com

 

Um ano depois, a Irmã Teresa viajou para Darjeeling, Índia, para o período de noviciado. Em maio de 1931 fez a sua Primeira Profissão de Votos. Posteriormente, foi enviada para Calcutá, onde foi designada para ensinar na Saint Mary’s High School for Girls, uma escola dirigida pelas Irmãs Loreto e dedicada ao ensino de meninas das famílias bengali mais pobres da cidade. A Irmã Teresa aprendeu a falar bengali e hindi fluentemente, pois ensinava geografia e história e dedicava-se a aliviar a pobreza das meninas através da educação.

 

Chamamento dentro de um chamamento

 

Em 1946, Madre Teresa experimentou um segundo chamamento, o “chamamento dentro de um chamamento“, que transformaria para sempre a sua vida. Estava num comboio/trem de Calcutá para o sopé dos Himalaias para um retiro quando disse que Cristo lhe falava e lhe dizia que abandonasse o ensino para trabalhar nas favelas de Calcutá, ajudando os mais pobres e doentes da cidade.

Como Madre Teresa tinha feito um voto de obediência, não podia sair do seu convento sem autorização oficial. Após quase um ano e meio de lobismo, em Janeiro de 1948 recebeu finalmente a aprovação para prosseguir com esta nova vocação. Em Agosto, com o sári azul e branco que iria usar em público para o resto da sua vida, deixou o convento e foi para a cidade. Após seis meses de formação médica básica, viajou pela primeira vez para os bairros de Calcutá, com o único objectivo  de ajudar “os não desejados, os não amados, os não cuidados”.

Madre Teresa de Calcutá e as origens albanesas. Fonte: usatoday.com

Missionários da Caridade, expansão das boas acções

 

Madre Teresa rapidamente traduziu o seu apelo em acções concretas para ajudar os pobres da cidade. Iniciou uma escola ao ar livre e estabeleceu uma casa para os necessitados moribundos num edifício degradado, e convenceu o governo da cidade a fazer uma doação à sua causa. Em Outubro de 1950, ganhou o reconhecimento canónico para uma nova congregação, os Missionários da Caridade, que fundou com apenas um punhado de membros.

À medida que a sua congregação aumentava e as doações chegavam de toda a Índia e de todo o mundo, o âmbito das actividades caritativas de Madre Teresa expandiram-se exponencialmente. Ao longo dos anos 50 e 60, estabeleceu uma residência para leprosos, um orfanato, um lar de idosos, uma clínica familiar e uma série de clínicas de saúde móveis.

 

Prémios e reconhecimento globais da Madre Teresa

 

Em Fevereiro de 1965, o Papa Paulo VI concedeu o Decreto de Louvor aos Missionários da Caridade, o que levou Madre Teresa a iniciar a sua expansão internacional. Por ocasião da sua morte, em 1997, os Missionários da Caridade eram mais de 4.000 – para além de milhares de voluntários – com 610 fundações em 123 países do mundo.

Madre Teresa. Foto: crs.org

 

O Decreto de Louvor foi apenas o começo, pois Madre Teresa recebeu várias honras pela sua incansável e eficaz caridade. Recebeu a Jóia da Índia, a mais alta homenagem concedida aos civis indianos, bem como a agora extinta Medalha de Ouro do Comité de Paz Soviético da União Soviética. Em 1979, Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz, em reconhecimento do seu trabalho “ao levar ajuda à humanidade sofredora”.

Após vários anos de deterioração da saúde, Madre Teresa faleceu a 5 de Setembro de 1997, aos 87 anos de idade. A 4 de Setembro de 2016 foi canonizada no Vaticano pelo Papa Francisco.

Nascida em Skopje e de origem albanesa, Madre Teresa jamais se esqueceu das suas origens. Orgulhosos da caridosa mundialmente reconhecida, os macedónios tornaram a sua casa natal num museu. Localizada no centro de Skopje, a casa-museu dedicado a Madre Teresa oferece documentos, fotografias e objectos pessoais para ficar a conhecer melhor a sua história, repleta de viagens, físicas e espirituais.

A casa museu Madre Teresa de Calcutá em Skopje, Macedónia. Fonte: thousandwonders.net

 

Pristina, a capital de Kosovo, também aproveitou a oportunidade de demonstrar agradecimento a tal personalidade, erguendo uma catedral localizada no centro da cidade: a Catedral Madre Teresa é um dos maiores templos católicos nos Balcãs. Mas curiosamente encontra-se num país largamente muçulmano.

Catedral Madre Teresa em Pristina, Kosovo. Foto: Valerie Plesch

 

Em 2005, a pedra fundamental foi cerimoniosamente colocada pelo ex-presidente do Kosovo, Ibrahim Rugova, ele próprio muçulmano. A construção teve início em 2007. A catedral inacabada foi inaugurada a 5 de Setembro de 2010, aniversário da morte de Madre Teresa em 1997, como parte dos eventos comemorativos do centenário do seu nascimento.  A catedral foi formalmente consagrada sete anos mais tarde, a 5 de Setembro de 2017, 20 anos após a morte de Madre Teresa. 

Interior da Catedral Madre Teresa de Calcutá, em Pristina. Foto: Into the Balkans

 

O Legado de Madre Teresa

 

Apesar da enorme escala das suas actividades caritativas e dos milhões de vidas que tocou até ao dia da sua morte, ela teve apenas a mais humilde concepção das suas próprias realizações. Resumindo a sua vida Madre Teresa disse: “De sangue eu sou albanesa. Por cidadania, indiana. Pela fé, sou uma freira católica. Quanto à minha vocação, pertenço ao mundo. Quanto ao meu coração, pertenço inteiramente ao Coração de Jesus“.

Quer saber mais sobre a vida de Madre Teresa? Visite os Balcãs com a Into the Balkans!

 

Outras leituras de interesse:

 

 

In: biography.com, Wikipedia.com
Tradução: Into the Balkans
Foto de capa: lifestyle.sapo.pt

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